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18/05/2018 - HDJB celebra a Semana de Enfermagem
  Em comemoração ao Dia Mundial do Enfermeiro, 12 de maio, e ao dia Dia Nacional do Técnico e Auxiliar de Enfermagem, 20 de maio, anualmente é realizada a Semana de Enfermagem. No Hospital Dom João Becker, a semana foi marcada por um evento organizado pela gerência de Enfermagem e enfermeiros chefes da Instituição, e teve como tema principal a "Valorização do profissional de Enfermagem.

Para a gerente de Enfermagem do HDJB, Dagmar Herberts, a semana foi a concretização de todo o trabalho que a equipe desempenha mas que, com a correria do dia-a-dia, não damos o devido reconhecimento.
"Esse formato de evento foi pensando para a equipe aproveitar e ver o quanto a profissão é fundamental. Para que os próprios enfermeiros, técnicos e auxiliares possam apresentar um pouco mais dos seus trabalhos. Mostrando, assim, o que é a enfermagem praticada por eles e como é a contribuição de cada um, em seu respectivo setor, no cuidado do paciente", disse a gerente de enfermagem em seu discurso de abertura.

A enfermeira Andreia Specht, especialista em cardiologia e docente da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, ministrou a palestra de abertura do evento sobre o papel do enfermeiro na formação dos profissionais de enfermagem. Andreia destacou as principais características e competências necessárias para ser um bom enfermeiro. São algumas delas:

Atenção à saúde: desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde; realizar seus serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética; ter responsabilidade ao problema como um todo, sabendo que a atenção à saúde não se encerra com o ato técnico, mas sim com a resolução do problema.

Tomada de decisões: o trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado , eficácia e custo-efetividade, da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas; conter competências e habilidades para avaliar, sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas.

Comunicação: devem ser acessíveis e devem manter a confidencialidade das informações a eles contadas, na interação com outros profissionais de saúde e público em geral; comunicação envolve comunicação verbal, não-verbal, habilidades de escrita e leitura, o domínio de pelo menos uma íingua estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação.

Outras características são: liderança; administração e gerenciamento de força de trabalho, recursos físicos, materiais e de informação; e educação permanente.

Além disso, a palestrante ressaltou a importância dos profissionais na promoção e manutenção do bem-estar dos pacientes e também dos familiares. "Temos que dar dignidade a todos. Entender suas dores e limitações. Agir com empatia. Garantir o conforto e bem-estar, pois sabemos que aquele momento é complicado tanto para o paciente quanto para o familiar", disse Andreia Specht.

A segunda palestra foi o relato da enfermeira Zoraide Wagner, que atua no município de Porto Alegre e na docência da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Zoraide passou seis meses em Angola, na África, para a revitalização do Sistema de Urgência e Emergência (SUE) na cidade africana.

O primeiro instituto Superior de Enfermagem em Angola surgiu apenas em 1990. A primeira turma a se formar a nível superior foi apenas no ano de 2005. Em 2009 a cidade já contava com aproximadamente 500 profissionais do ramo de enfermagem, entre médicos, mestres, enfermeiros, técnicos e auxiliares. O Hospital Josina Machel – Maria Pia, em que Zoraide trabalhou por seis meses, foi fundado em 1883 pela nobreza portuguesa e hoje conta com 700 leitos, aproximadamente 1500 colaboradores, sendo destes, mais de 500 da enfermagem.

O país tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os mais baixos do mundo, uma expectativa de vida em torno dos 50 anos de idade e quase 60% das pessoas na linha da pobreza. A emergência do Hospital apresentava superlotação, chegando a ter atendimentos de pacientes no chão. Devido a essa problemática, a área da emergência, chamada de Banco de Urgência, foi fechada a fim de sua revitalização.

Em sua passagem por Angola para a revitalização do SUE, a enfermeira pode observar a precariedade do sistema de saúde da região. "Não há grandes investimentos e os profissionais não são adequadamente capacitados. Não há investimento em qualificação, não há treinamento para as equipes, não existia triagem até chegarmos e a maior causa de morte da população angolana é o Acidente Vascular Cerebral (AVC)", ressalta Zoraide.

Isso, porque, segundo Zoraide, eles não investem em casos mais graves, tamanha a precaridade da saúde local. Na área Clínica Médica e na Área Cirúrgica, são 400 atendimentos/dia. Após a passagem da enfermeira pelo hospital da região, muitas coisas melhoraram. O sistema de triagem foi implantado, os atendimentos foram divididos em especialidades, os funcionários foram capacitados, aprenderam a manusear diversas ferramentas de trabalho que, até então, eram desconhecidas. O trabalho realizado incluía a implementação de novos fluxos e protocolos de atendimento de pacientes, e das principais patologias atendidas na região.

Zoraide e o grupo de mais 5 pessoas que estiveram nesta missão, contribuíram de forma efetiva na reconstrução de um país marcado pelas sequelas de uma guerra civil mas que têm vontade de viver uma nova realidade. O trabalho técnico realizado foi de grande relevância, pois contribui não apenas com a Instituição, mas para o bem da sociedade como um todo.

Ainda que tenha passado por bons e maus momentos, a enfermeira garante que essa é uma experiência única na vida. "Com certeza foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Eu tinha filhos e marido e, por instantes, repensei em não. Minha filha me olhou e disse para eu ir sem medo. E eu fui. E não me arrependo. Foi a melhor escolha que já fiz. Eles são um povo machucado por tantos anos de guerra, mas tão merecedor de qualidade de vida. Eu faria tudo outra vez", encerrou Zoraide.

Seguindo o cronograma da Semana de Enfermagem, houve a apresentação de trabalhos das unidades do HDJB, onde os colaboradores inscritos tiveram a oportunidade de mostrar aos presentes, os trabalhos desenvolvidos em suas unidades. Foram seis trabalhos apresentados. Os assuntos envolviam hemodiálise, parto humanizado, estudo de caso dentro da unidade de terapia intensiva, cuidados especiais neurológicos, estudo de caso de paciente com Gangrena de Fournier e a evolução do protocolo de AVC.

A oportunidade foi muito importante para as equipes exporem seus trabalhos e mostrar (minimamente) um pouco do que fazem em seu dia-a-dia. Em como desempenham seus trabalhos com excelência , amor, cuidado e empatia pelo outro.

Em um dos trabalhos apresentados, da gangrena de Fournier, a enfermeira Andrya Figueiredo demonstrou todo seu cuidado e preocupação com o paciente. Ele chegou até o hospital com uma grave lesão, mas com os cuidados diários recebidos, trocas de curativo, limpeza e higienização adequadas, obteve alta e pode ir para casa se recuperar ao lado da família.

A enfermeira responsável pelo caso destacou a importância do acompanhamento e também de ensinar à família os cuidados após a saída do Hospital. "Todas as intervenções foram feitas pensando na melhora da paciente. Todo o cuidado que temos é pensando no bem da outra pessoa. Além disso, também buscamos educar os familiares do paciente, para que eles entendam que os mesmos cuidados devem seguir existindo em suas casas. A higienização frequente, a troca de curativos, tudo que ensinamos, deve ser feito também em casa", destaca a enfermeira Andrya. Para encerrar a Semana de Enfermagem e agradecer todo o empenho e dedicação destes profissionais, foi proposto um evento de confraternização. Barraquinhas de crepe, cachorro quente e refrigerante foram montadas no auditório da Instituição para receber as equipes de enfermagem.

Mais do que confraternizar, a ocasião também foi de reconhecimento. Os colaboradores se sentiram prestigiados, engrandecidos e valorizados pelos momentos pensados com tanto carinho para eles. A troca de experiências, as palestras e assuntos abordados, a oportunidade de agregar conhecimento, tudo foi planejado para os grandes responsáveis por cuidar e zelar pela saúde dos pacientes: os técnicos, assistentes e enfermeiros do Hospital Dom João Becker.